domingo, 2 de dezembro de 2018

Piaget

"Além de definir os quatro estágios do processo de desenvolvimento, Piaget identificou algumas facetas fundamentais demandadas em cada fase: assimilação, acomodação e equilíbrio. A assimilação é o processo pelo qual incorporamos novas informações em esquemas já constituídos. A acomodação é requisitada quando, durante o processo de assimilação, descobrimos ser necessário modificar conhecimentos ou habilidades anteriores."

"... Piaget acreditava que a educação deveria motivar as pessoas a criar, inventar e inovar e desencorajá-las a se adaptar e seguir regras preestabelecidas à custa da imaginação."

" Os educadores não devem insistir em uma maneira única de fazer ou entender algo, asseverava Piaget, mas incentivar os processos naturais de aprendizado das crianças."

"... Piaget defendia que o aprendizado se dá de forma ativa, e não apenas por observação passiva, e que os professores devem levar isso em consideração."

"Tal como acontece no desenvolvimento intelectual, Piaget acreditava que as crianças se desenvolvem moralmente em estágios e, na maior parte do tempo, de forma autônoma. O verdadeiro crescimento moral não deriva de instruções dos adultos, mas das próprias observações dos pequenos sobre o mundo."

"As crianças só entendem de verdade o que elas próprias inventam." Jean Piaget.

Jean Piaget. O Livro de Psicologia.

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O Novo

"Incentivar o tempo todo o aluno na sua criatividade e na sua imaginação. Porque o objetivo da educação é criar homens e mulheres capazes de fazer coisas novas."

"Piaget, ao estudar as crianças, porém, percebeu que, para elas, a linguagem tinha uma importância menor e o mais importante eram suas próprias atividades."

"Educar significa, para a maioria das pessoas, tentar fazer com que as criança se assemelhe ao adulto típico da sua sociedade." Jean Paiget.

"Piaget concluiu, portanto, que é a ação, e não a interação social, que provoca o raciocínio nesse estágio." 

"O saber é um sistema de transformações que se tornam progressivamente adaptadas."

"O primeiro estágio proposto por Piaget é o sensório-motor, que engloba os dois primeiros anos de vida. Durante esse período, as crianças aprendem sobre o mundo basicamente por meio dos sentidos (daí o sensório) e da ação e movimentação físicas (motor). A criança nesse estágio é egocêntrica, só consegue enxergar o mundo a partir do seu ponto de vista."

"Quando começa a desenvolver autoconsciência, a criança já possui as ferramentas do pensamento representativo e pode desenvolver e usar imagens, símbolos internos e linguagem. Tudo isso faz parte do segundo estágio, pré-operacional, em que o interesse fundamental da criança é aparência das coisas."

"A capacidade de pensar logicamente é ainda limitada, e a criança continua egocêntrica, incapaz de observar as coisas pela perspectiva do outro."

"No quarto estágio - o operacional formal - as crianças começam a manipular ideias (além de objetos) e são capazes de raciocinar com base apenas em afirmações verbais. Não precisam mais da referência de objetos concretos e podem acompanhar um raciocínio. Começam a pensar hipoteticamente; e esse novo poder de imaginação, bem como a capacidade de debater ideias abstratas, revela que estão menos egocêntricas."

Jean Piaget. O Livro de Psicologia.



domingo, 25 de novembro de 2018

Comunicação Não-Verbal

     "Nos primórdios da raça humana, antes da evolução da linguagem, o homem se comunicava através do único meio de que dispunha: o não-verbal. Os animais ainda se comunicam desse jeito e muitos deles conseguem trocar informações com um alcance bem mais amplo do que era possível imaginar até há bem pouco tempo atrás. De certa forma, o comportamento não-verbal do ser humano é extremamente parecido com o comportamento necessariamente não-verbal dos animais, sobretudo com o de outros primatas. Algumas coisas ainda comunicamos da mesma forma que os animais, mas desde o advento das palavras já não temos mais consciência disso.
      Recentemente, os etologistas começaram a estudar, analisar e a comparar os sistemas de comunicação do homem e dos animais. Seus métodos e suas descobertas têm tido influência cada vez maior sobre os cientistas que cuidam da comunicação não-verbal. Já houve sugestões, inclusive, para que todo esse campo fosse chamado de etologia humana.
      O etologista é, basicamente, um biólogo, mas um biólogo que se preocupa, em particular, com o comportamento que permite ao animal adaptar-se ao seu meio ambiente, incluindo-se aí o meio social composto por outros membros da espécie. Quando sua atenção se volta para o ser humano, o etologista pergunta: Até que ponto se pode entender o comportamento do homem como um produto do processo evolutivo?"

A Comunicação Não-Verbal. Flora Davis.
Summus Editorial.

Reflexão: A comunicação verbal está continuamente sendo sobrecarregada de conteúdo passional, das escolhas passionais de cada indivíduo. Ou seja, para uma espécie de resolução política diante de um acordo político, a comunicação verbal parece não ter mais grande valia. Pois muitas vezes, guardamos nosso rancor ou ódio passional diante de um adversário, que originariamente poderia ser um aliado. A escrita, por mais erudita que seje, possui uma qualidade de comunicação dos animais. Ela também é uma maneira de comunicação e expressão sem haver o discurso verbal, em que na maioria das vezes, ao invés de fragmentar, serve apenas para desfragmentar, causando rivalidades e inimizades inóspitas.



sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Acesso à mente humana

"... A consciência de acesso possui quatro características óbvias. Primeira, temos noção, em vários graus, de um rico campo de sensações: as cores e formas do mundo à nossa frente, os sons e odores que nos envolvem, as pressões e dores em nossa pele, ossos e músculos. Segunda, porções dessas informações podem incidir no enfoque da atenção, ser introduzidas e retiradas alternadamente na memória de curto prazo e alimentar nossas cogitações deliberativas. Terceira, as sensações e pensamentos apresentam-se com uma qualidade emocional:  agradável ou desagradável, interessante ou repulsivo, excitante ou tranquilizador. Finalmente, um executivo, o eu, aparece para fazer escolhas e acionar as alavancas do comportamento. Cada uma dessas características descarta algumas informações no sistema nervoso, definindo as vias principais da consciência de acesso. E cada uma desempenha um papel definido na organização adaptativa do pensamento e percepção para atender à tomada de decisões e ação racionais... "

"... Nossa percepção imediata também não recorre exclusivamente ao nível superior de representação. Os níveis superiores - os conteúdos do mundo, a substância de uma mensagem - tendem a permanecer na memória de longo prazo dias e anos após uma experiência, mas enquanto ela está ocorrendo nós percebemos as visões e os sons."

"... Não é difícil descobrir as vantagens da percepção do nível intermediário... Os níveis inferiores não são necessários, e os superiores não são suficientes... Porém, como ocorre na visão, o resto da mente também não pode satisfazer-se apenas com o produto final - neste caso, a ideia principal de quem fala. A escolha das palavras e o tom de voz contêm informações que nos permitem ouvir nas entrelinhas.
     A próxima característica digna de nota na consciência de acesso é o foco de atenção... A psicóloga Anne Treismann concebeu algumas demonstrações simples, hoje clássicas, de onde termina o processamento inconsciente e começa o processamento consciente."

Como a mente funciona, de Steven Pinker.





Sartre

"Sartre é contrário a um tipo de materialismo que coloca o homem como um objeto, pois isso o descaracteriza. Ele pensa numa doutrina que tem por base, como única razão de ser, o indivíduo, a subjetividade individual - o único fundamento que se deve procurar é o homem enquanto não objeto. O existencialismo e o marxismo convergem assim na configuração de um novo humanismo."

Filosofia, Ciência e Vida. 126. Editora Escala.




terça-feira, 9 de outubro de 2018

Sociopolítica

"... Em oposição à ideia da abordagem imparcial e universal da psicologia, Martin Baró concluiu que os psicológos deveriam levar em conta o contexto histórico e as condições sociais das pessoas em estudo. Para ele, é verdade que alguns problemas mentais refletem reações anormais a circunstâncias razoavelmente normais, mas os problemas específicos de grupos oprimidos e explorados costumam refletir reações normais e compreensíveis às circunstâncias anormais. Martin Baró concluiu que os psicólogos precisavam atentar mais às consequências de contextos sociais problemáticos sobre a saúde mental, bem como ajudar a sociedade estudada a superar o seu histórico de opressão...
      Os psicólogos dessa corrente consideram que a psicologia tradicional tem muitas limitações. Muitas vezes não é capaz de oferecer soluções práticas aos problemas sociais; grande parte de seus princípios foi elaborada a partir de condições artificiais de países ricos e, portanto, dificilmente podem ser traduzidos para situações diferentes; costuma ignorar qualidades morais humanas, como esperança, coragem e comprometimento; e sua principal meta aparentemente é maximizar o prazer, em vez de se preocupar em despertar e orientar o desejo por justiça e liberdade...
     ... Aborda o uso da psicologia como ferramenta de manipulação política e de guerra, o papel da religião no embate psicológico e o impacto de traumas e da violência sobre a saúde mental... Martin Baró concluiu que os problemas de saúde mental que surgem em determinado contexto são reflexos da história local, bem como do ambiente social e político em questão, e que os indivíduos devem ser tratados com esses fatores em mente."

     "No entanto, para entender e tratar distúrbios mentais, o psicólogo deveria compreender o ambiente sociopolítico de seus pacientes e objetos de estudo. Traumas devem ser analisados sob a perspectiva da relação entre indivíduo e sociedade."

O Livro da Psicologia. Editora Globo.



Obediência

"... Milgram queria observar se a tendência a obedecer à autoridade poderia ser o principal determinante do comportamento, mesmo em circunstâncias extremas...
     Segundo Milgram, esse senso de obediência deve-se ao fato de a socialização ser concebida (por pais e professores) para que o indivíduo seja obediente desde cedo e siga ordens - em especial as regras impostas por figuras de autoridade. Como disse Milgram, a obediência é um dos elementos mais basicos da estrutura da vida social... está a serviço de diversas funções produtivas. Mas, da mesma forma, as políticas desumanas dos campos de concentração da Segunda Guerra Mundial só poderiam ser implementadas em grande escala  se um grande número de pessoas obedecesse às ordens. As experiências de Milgram deixaram claro que pessoas normalmente inofensivas podem cometer atos cruéis quando pressionadas pela situação."

     "Os surpreendentes estudos de Stanley Milgram sobre a obediência mostraram que as pessoas obedecem a figuras de autoridade mesmo que isso implique contrariar as próprias  convicções morais... 
      Por sorteio, os alunos assumiram aleatoriamente papel de guarda ou de preso e, pouco depois, numa manhã de domingo, os prisioneiros foram presos em suas casas, fichados em uma delegacia policial de verdade e levados ao porão do departamento de psicologia da Universidade de Stanford, transformada em falsa prisão."

     "Em geral, pessoas normais e saudáveis passam a se comportar conforme o papel social a elas determinado. As que estão em posição de poder naturalmente usam (e abusam) da autoridade que têm. As que estão em posição de subordinadas submetem-se à autoridade. É a força das situações sociais, e não a disposição das pessoas, que gera comportamentos cruéis."

O Livro da Psicologia. Editora Globo.




segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Cultura Mercadoria

"... Não existem pessoas sem cultura, ou incultas porque existem saberes diversos, que não precisam necessariamente ter ligações com os saberes intelectualizados, ou seja, advindos dos livros, das universidades e/ ou ciência."

"... Desse grupo, mencionaremos Theodor Adorno e Max Horkheimer que em sua obra conjunta Dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos (1985) tratam de aspectos da cultura e do consumo cultural dentro da sociedade industrializada.
     Esses estudiosos dizem que a cultura está tão intrínsecamente ligada ao consumo que se confunde com a publicidade que seduz o consumidor de cultura por meio da palavra.
     Assim sendo, o consumidor, seduzido pela propaganda, consome o objeto cultural sem se dar conta de que o faz de maneira manipulada e não totalmente consciente.
    Posterior aos estudos realizados pelo grupo acima mencionado, o filósofo francês Félix Guattari subdividiu a cultura em três subtipos:  cultura-valor (visão da cultura que elitiza o conhecimento da mesma e dá status a quem tem acesso à ela), cultura-alma coletiva (que vê as manifestações culturais como símbolo de um povo e, segundo essa forma de ver e entender a cultura, todos são possuidores da mesma) e cultura-mercadoria (é a visão de cultura na qual os bens culturais são considerados mercadorias e, portanto, produzíveis e reproduzíveis segundo sua rentabilidade.
     Para este estudioso é a cultura-mercadoria o tipo de relação que predomina na sociedade contemporânea e essa forma de lidar com os elementos culturais pode servir tanto para democratizar seu conteúdo como para massificá-lo, mas tanto a cultura erudita como a cultura de massa são tratadas como mercadoria, objeto de lucro."

Filosofia, Ciência e Vida. Por Gabriela Raizaro Tosi.





sábado, 6 de outubro de 2018

Economia de Novos Valores

"... Em suma: roupas, alimentos, suplementos, cosméticos, plásticas, remédios, máquinas, programas, DNAs, enfim, do código de barras ao código genético o corpo humano passa a ser decodificado pela lógica quantificadora da mercadoria.
     Mais ainda, os avanços tecnológicos da indústria de ponta se encarregaram de tornar os próprios frutos da mente humana em mercadoria. Se no século XX a dinâmica taylorista-fordista propunha racionalizar as operações de trabalho esquadrinhando tempos e movimentos a fim de tornar o operário uma mera peça mais docilmente expropriável e mais facilmente substituível, a pergunta imposta pelo capital no século XXI é algo como: para que usurpar apenas as forças dos braços operários se é possível também sequestrar suas mentes...
     ... O mesmo se passa com corporações como Apple, Nike, Coca-Cola, McDonalds, que se converteram nas marcas mais valiosas da economia global a partir menos da qualidade de seus produtos e mais da capacidade de negociar marcas, designs, padrões de gostos, estilos de vida, símbolos de distinção...
     ... Quando o corpo e a mente humana são transformados em objetos da mercantilização estamos diante de uma ressignificação da própria compreensão do que é a natureza humana, mais ainda: a própria ideia de natureza tende a ser colonizada pelo capital...
     Por isso é comum encontrar projetos de desenvolvimento econômico que mesmo sendo bem sucedidos do ponto de vista do crescimento econômico vem acompanhados pelo crescimento do racismo, do machismo, da homofobia, da xenofobia, da intolerância, da tortura, do fundamentalismo religioso, do linchamento, do justiçamento e tantas outras formas de expressão da barbárie. O progresso entendido como um destino evolutivo sufoca todo direito à diferença. Nesse cenário a única liberdade de fato é a liberdade do capital, aliás, necessária para a voracidade do mercado financeiro sempre ansioso para aumentar sua rentabilidade e sua lucratividade com abstrações tornadas mercadorias."

     Quando ideias e conceitos se tornam mercadorias o exercício de criação de outras linguagens é uma tarefa necessária de resistência. Nesse sentido é que se coloca a importância da invenção de uma economia baseada em novos valores, que seja capaz de extrair da gramática matemática a gramática ética ali encrustada, ressignificando, por exemplo, as noções de troca, propriedade, valor e riqueza...

     ... É fundamental a luta contra as desigualdades e a insurgência contra os poderes econômicos exigindo: taxação das grandes fortunas, heranças, doações e do consumo de luxo. Experiências como a do Ocuppy nos EUA, a luta travada na Espanha pelo Podemos contra a crise econômica ou o embate travado na Grécia pelo Syriza contra a austeridade fiscal sinalizam claras reivindicações por uma justiça distributiva;  transparência e fiscalização contra a sonegação de impostos, evasão de divisas e lavagem de dinheiro...

     ... Não se faz justiça social sem distribuição de renda, por isso é preciso denunciar as agruras dos modos de produção e reprodução do biocapitalismo e dos gestores das finanças globais, ressignificando a ideia de felicidade para além dos marcos liberais do individualismo e dilatando o conceito de bem-estar para além dos referenciais do welfare state, construindo uma economia da propriedade comum, onde o agronegócio cede lugar a uma nova relação com o meio-ambiente e os ciclos da terra a partir da agricultura familiar e da agroecologia; onde a grande corporação industrial ceda lugar a uma nova dinâmica de produção de tecnologias e redes a partir da desmercantilização do conhecimento, da criatividade, das subjetividades e dos afetos; onde os grandes banqueiros e comerciantes deixem de ser monopolizadores do acesso à moeda e às mercadorias abrindo espaço para o intercâmbio de novas formas de credibilidade e de troca.

Filosofia, Ciência e Vida. Editora Escala.



Arte e Estética

"A arte sempre foi alvo de grandes discussões nas mais diversas etapas históricas da humanidade. E, diga-se de passagem, que até hoje grandes dúvidas ainda pairam. Muitas e muitas indagações ainda não foram respondidas de forma adequada e estão longe de um consenso entre críticos, filósofos e escritores.
     Estética como ciência da expressão linguística geral, de Benedetto Croce (1866-1952), publicado, recentemente, pela É Realizações, traz uma contribuição significativa para  a área da crítica, visto que repensa conceitos de genialidade, estética e outras igualmente importantes que deveriam ser refletidas..."

     "De suma importância para a literatura: os limites entre a prosa e poesia. Croce reafirma que há poesia sem prosa, no entanto não poderia haver prosa de valor estético sem poesia. Eis duas dimensões, muitas vezes, difíceis de serem entendidas. Com isso o autor está querendo dizer que um texto científico bem escrito pode perfeitamente ter muito de poesia. E aí, certamente, residiria o seu valor estético."

Filosofia, Ciência e Vida. Editora Escala.




Novas Ideias

"... Mesmo aceitando a ideia de que a modernidade é um conceito que define e qualifica um período localizado em um tempo e um espaço, não podemos deixar de lado o fato de este ser um conceito utilizado em tempos de transição, daí seu caráter polissêmico. Existem uma série de conceitos em movimento - revolução, progresso, emancipação, desençvolvimento, crise, espírito de tempo, todos ligados à ideia de modernidade - que garantem os múltiplos sentidos do termo. Vislumbrar os diferentes momentos históricos nos quais a modernidade foi reivindicada é o equivalente a olharmos um caleidoscópio, cujos os movimentos, impulsionados pelos diferentes tempos, criam formas distintas e cores que podem surpreender.
     Reinhart Koselleck sugere que os conceitos não são simplesmente palavras. Eles estabelecem uma relação dialética com a realidade histórica, assumindo o caráter de produtor e produto das transformações ocorridas no tempo. Os conceitos são elementos fundamentais para a percepção das mudanças da experiencia em um determinado tempo. Em sua concepção, não pode haver nenhuma comunidade sem a existência de conceitos comuns e, sobretudo, não pode haver unidade de ação política. Os conceitos fundamentam-se em sistemas políticos e sofrem modificações de acordo com o contexto dentro do qual são reivindicados.

Filosofia, Ciência e Vida. Editora Escala.



sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Tendências

"... A determinação da modernidade como tempo de transição, desde que foi descoberta, não perdeu a evidência de seu caráter de época. Um critério infalível desta modernidade são seus conceitos de movimento - como indicadores de mudança social e política e como elementos linguísticos de formação de consciência, da crítica ideológica e da determinação do comportamento.
     A consciência histórica da modernidade se dá na medida que as expectativas começam a separar-se da experiência. Cronologicamente, isso aconteceu na transição entre a chamada Idade Média e a Idade Moderna, visto que, neste período, a compreensão do tempo perde seu caráter escatológico por meio do qual expectativa e experiência se confundiam. Na modernidade histórica, existe uma relação assimétrica entre experiência e expectativa. O homem passou a experimentar o tempo como algo inédito, passível de ser planejado e distinto do passado. Esta nova relação com o tempo surgiu unindo a expectativa com a ideia de progresso, que atribui ao futuro uma qualidade histórica nova ancorada nos prognósticos, nos cálculos políticos e nas utopias.
     A naturalidade com que as previsões dos cristãos crentes ou as profecias de toda espécie transformaram-se em ação política já se notava desde 1650. O cálculo político e a contenção humanista delimitaram um novo horizonte para o futuro. Aparentemente, nem as predições de um grande único fim de mundo, nem as que previam eventos múltiplos e de menor monta foram capazes de prejudicar o curso das coisas humanas. Em vez do fim do mundo previsto, um tempo diferente e novo foi inaugurado.
      A partir de então se tornara possível referir-se ao passado como uma Idade Média. Os próprios conceitos - a tríade Antiguidade, Idade Média e Idade Moderna - já se encontravam disponíveis desde o humanismo, mas foram gradativamente disseminados para a história apenas a partir da segunda metade do século XVII. Desde então, o passou a viver na modernidade, estando ao mesmo tempo consciente de estar vivendo nela. É claro que, conforme as nações e as classes, isso era parcialmente válido, mas se tratava de uma constatação, que, segundo Harzard, pode ser compreendida como a crise do espírito europeu."

Filosofia, Ciência e Vida. Editora Escala.




terça-feira, 25 de setembro de 2018

Iniciação de Sabedoria

"... Nada pode o mundo esperar de um homem que algo espera do mundo - tudo pode o mundo esperar de um homem que nada espera do mundo.
     O iniciado dá tudo e não espera nada do mundo. Ele já encerrou as contas com o mundo, está quite com o mundo. Pode dar tudo sem perder nada.
     O autoiniciado é um místico - não um místico de isolamento solitário, mas um místico dinâmico e solidário, que vive no meio do mundo sem ser do mundo."

"... Somente o conhecimento da verdade sobre si mesmo é libertador; toda e qualquer ilusão sobre si mesmo é escravizante...
     Essa plenitude do ser não se realiza pela simples solidão, mas pelo revezamento de introversão e extroversão. O homem deve, periodicamente, fazer o seu ingresso dentro de si mesmo, na solidão da meditação, ou cosmo-meditação, e depois fazer o egresso para o mundo externo, a fim de testar a força e autenticidade do seu ingresso."

"... Não existe crise de educação no Brasil, nem em qualquer parte do globo. O que existe é uma deplorável ausência de verdadeira educação. Essa é a opinião do filósofo brasileiro Huberto Rohden a respeito da chamada crise da educação moderna... Temos que saber o que somos e temos de viver de acordo com aquilo que somos... A instrução faz o homem erudito; a educação faz o homem bom... A educação é eminentemente individual. Não pode ser uma atividade social. Ela se reflete na sociedade, mas está radicada no indivíduo. Só existe autoeducação; não existe alo-educação (educação de fora para dentro). Ou o homem se educa ou não se educa. Outros não podem educar-me; só podem mostrar-me o caminho pelo qual eu me possa educar."

Rumo à Consciência Cósmica, Huberto Rohden. Martin Claret, 2009



Palavra e Silêncio

"... Toda e qualquer pessoa profundamente imersa no silêncio infinito experimentará, em graus variáveis, a mesma experiência.
     A palavra é um método - o silêncio é a meta.
     A palavra é um início - o silêncio é um fim."

"... E quem descobre a verdade sobre si mesmo liberta-se de todas as inverdades e ilusões. Liberta-se do egoísmo, da ganância, da luxúria, da vontade de explorar, de defraudar os outros. Liberta-se de toda a injustiça, de toda a desonestidade, de todos os ódios e malevolências - de todo o mundo caótico do velho ego.
     O iniciado morre para o seu ego ilusório e nasce para o seu Eu verdadeiro. 
     O iniciado dá o início, o primeiro passo, para dentro do Reino dos Céus. Começa a vida eterna em plena vida terrestre. Não espera um céu para depois da morte, vive no céu da verdade, aqui e agora - e para sempre.
     Isso é autoiniciação.
     Isso é autoconhecimento.
     Isso é autorrealização."




Meditação

"... A música ideal e divina é o silêncio. Deus é silêncio, e quanto mais silencioso o homem for, tanto mais se aproxima de Deus. Silêncio total é ausência de ruído material, mental e emocional - não sentir, não pensar, não desejar nada..."

"... A natureza toda confirma esse fato; toda ela se baseia na lei da bipolaridade. Luz, calor e força resultam de dois pólos elétricos, positivo e negativo, cujas antíteses complementares são devidamente sintetizadas; se os filamentos da lâmpada não oferecessem resistência à passagem da corrente elétrica, não haveria luz; se a resistência do aquecedor não oferecesse dificuldade à passagem da corrente, não teríamos calor; se o enrolamento do dínamo não obrigasse a corrente a um longo percurso, não teríamos força em nossa indústria.
     Todo o macrocosmo sideral se baseia na oposição entre atração e repulsão, cujo equilíbrio produz a harmonia do Universo.
     Evolução é resistência, oposição, dificuldade, luta, sofrimento, vitoriosamente superados e harmonizados.
     Onde não há luta não há possibilidade de vitória - e onde não há vitória não há evolução..."

"... Há três classes de sofredores:
     - a retaguarda dos derrotados;
     - o exército dos conformados;
     - a vanguarda dos vitoriosos.
     Somente a terceira classe soube fazer do fator resistência ou dificuldade uma oportunidade para progresso e evolução ascensional.
     Sem resistência vencida não há evolução superior.
     Diz um poeta inspirado:
     - Quem passou pela vida em branca nuvem. E em plácido repouso adormeceu, Foi espectro de homem, não foi homem; Passou pela vida, mas não viveu."



sábado, 1 de setembro de 2018

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Cosmocracia

"Mas a humanidade adolescente da Renascença e da Reforma rejeitou essa crença infantil; tentando substitui-la pela ciência nesses quatro séculos de intelectualidade, não conseguiu substituir a velha crença, porque a ciência trata apenas dos objetivos da vida do homem-ego, e não da verdadeira razão de ser do homem-Eu. A ciência prometera crear um céu na face da terra - mas acabou por transformar a terra num inferno. Rádio, televisão, aviões supersônicos, etc. podem, certamente, dar algum conforto ao homem físico-mental, mas não podem resolver o problema central do homem espiritual..."

"A música ideal e divina é o silêncio. Deus é silêncio, e quanto mais silencioso o homem for, tanto mais se aproxima de Deus. Silêncio total é ausência de ruído material, mental e emocional - não sentir, não pensar, não desejar nada."

Rumo à Consciência Cósmica, Huberto Rohden. 






As 3 Atitudes do Homem

"As três atitudes que o homem pode assumir em face da vida:

A linha sinuosa representa a atitude do homem profano, que só se interessa e se ocupa com as coisas externas e passageiras do ego.
A linha reta simboliza, o homem místico, que se isola no mundo espiritual, longe de todas as materialidades.
A linha reta atravessando a linha sinuosa, mostra o homem cósmico, o homem que mantém a sua consciência mística no meio de todas as profanidades da vida diária."

Rumo à Consciência Cósmica, Huberto Rohden.




sábado, 18 de agosto de 2018

Vincent Van Gogh

"Van Gogh é um personagem importante no contexto da arte, com uma linguagem altamente expressiva para o presente, o passado e o futuro.
     O que chama a atenção em Van Gogh é sua capacidade de penetrar no íntimo das coisas, capacidade esta que não lhe foi dada, mas sim adquirida através da sua própria vivência...
     Por algum tempo trabalhou como guarda-livros, adquirindo, então, o hábito do cachimbo. Continuava a ler a Bíblia e começou a se tornar um excêntrico, um estranho. Com 25 anos era uma pessoa nervosa e abatida. Partiu para uma zona industrial da Bélgica, onde trabalhou entre os pobres. Tal trabalho fez com que observasse as condições miseráveis de muitos na sociedade europeia da época, profundamente injusta, dividida por camadas sociais e que aparecerá marcada, em algumas das suas obras, como a impressionante: Os Comedores de Batatas. Esta obra reflete o aspecto flagrante da vida dos trabalhadores rurais e apresenta também traços que lembram as ideias pictóricas de Rembrandt, colocadas fortemente em traços realísticos.
     É sua esta frase: é muito bom estar na neve do inverno, nas folhas amarelas do outono, no trigo maduro do verão, na grama da primavera e sentir tudo isto com uma força vital que nos leva a amar e a sentir a vida. Os Comedores de Batatas é uma obra que não só saiu do coração de Van Gogh, mas que cristalizou vários anos de luta apaixonada pela expressão que escolhera. Quando decide pintar, a pintura não é para ele uma forma de poder simplesmente comunicar. Será, isto sim, a maneira de reestruturar a natureza.
     Van Gogh é o artista mais original do final do século XIX e do princípio do século XX. As cores, em Van Gogh, não são uma simples continuidade do impressionismo. São uma lição de como a força criadora interna pode jogar plasticamente com os elementos para expressar a realidade do próprio indivíduo.
     Em que se mede a diferença de um artista? Não se mede naquilo que apenas faz, na sua maneira de realizar, nem na íntima convicção que tem do que pode recriar, mas na forma como o artista pode desenvolver uma transcendência. Poderíamo-nos aqui perguntar: o que é transcendência? E por que Van Gogh transcende?
     Transcender significa tratar de estruturar um mundo que essencialmente tem significado para a própria pessoa. E isso somente consegue-se através do trabalho justo e honesto. Sofrer sem queixa é a única lição que devemos aprender da vida de Vincent Van Gogh."

Psicologia da Arte, Juan Jose Mourino Mosquera. Editora Sulina. 1973.



Criatividade

"... Para Koestler, a bissociação consiste na conexão de nível de experiência. Quanto mais experiências o homem tiver, e contraditórias, mais ricas será sua capacidade criadora...
     ... A criatividade, para se exteriorizar, exige que a pessoa não pense apenas em uma determinada situação. É um produto do processo de pensamento. O indivíduo precisa utilizar seu pensamento em diferentes planos, ou seja, sondar as diferentes possibilidades de vida. Uma pessoa que fica só num plano torna-se rotineira e, consequentemente, não será criadora."

Psicologia da Arte, Juan Jose Mourino Mosquera, Editora Sulina, 1973.







Arte

A arte vem da necessidade humana de edificar a própria vida, consistindo na transformação da natureza pela obra do homem e redundando numa segunda natureza guiada pela inteligência...
     A técnica, que se associou intimamente à ciência moderna, provocou uma aceleração na vida do homem, equipando-o com uma abundância de objetos e condicionando-o a uma opressão e atrofiamento de sua sensibilidade no desenvolvimento no ato de pensar. A facilidade que advém da técnica, preparando, codificando ou rotulando, facilita a aquisição, a posse, dando lugar à avidez do conhecer, excluindo a importância do ser.

     O ser, verdade ou presença, só se manifesta na existência e a existência é a casa onde habita o ser. Heidegger.

     Assim, a essência do existente é o transcender; transcendência, pois, ultrapassagem do existente, se dá sempre no mesmo nível do existente e no mesmo horizonte.

Psicologia da Arte, Juan Jose Mourino Mosquera. Editora Sulina. 1973.




sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Consciência e Subconsciência


No início, duas moças parecem questionar a função da natureza. Nesse momento talvez esteja faltando em juízo a capacidade de entender o outro. Há uma indagação entre elas: O que os pássaros pensam sobre nós, humanos? E uma das moças responde que os pássaros não pensam. Ela poderia compreender melhor o pássaro se conseguisse entender o outro. Pois talvez os pássaros respondessem da mesma maneira: Os humanos não pensam. Ou seja, para conhecer o outro, basta julgá-lo e torna-se réu, tomando o próprio julgamento para si.
Na segunda cena, as duas moças estão realizando uma espécie de magia. Na atual sociedade, a maioria diria se tratar de magia negra (magia de malefício). O que torna a qualidade da magia ser de mal agouro ou de bom agouro, é a vontade e o desejo do bem realizado para o outro conscientemente. suprimindo o pensamento contrário do subconsciente.
Um exemplo de pulsão de morte: Num bairro distante da cidade, os moradores resolveram punir os comedores de jiló com cadeia. Um indivíduo A revela a todos os outros moradores que detesta o odor e o sabor do jiló. Diz isso, conscientemente, e até vota a favor da punição com cadeia para os comedores de jiló. Mas em sua casa, todos os dias, ele prova e come jiló. Ou seja, o que está valendo realmente é o poder do seu subconsciente, subjulgando a própria consciência. Assim, em algum dia ele também será punido por comer jiló, através da própria lei em que votou a favor.
Em outra cena, o professor ensina que antigamente a face oculta da lua era um grande mistério. Mas pode isso servir como uma metáfora sobre a consciência (a face exposta da lua) e a subconsciência (a face oculta da lua), uma espécie de esconderijo da verdade em nossos pensamentos. E se essa face oculta algum dia for revelada e exposta, pode ser considerada como a morte...

Resenha sobre o filme: O Mundo de Sofia.


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terça-feira, 31 de julho de 2018

Consciência Espiritual

"Via de regra, depois de estabelecer o contato consciente com o Eu divino, deve o homem regressar ao plano dos seus afazeres profissionais, trabalhando em qualquer setor honesto da vida humana - a não ser que outra seja sua missão peculiar."

     "Vós sois deuses - essas palavras do Cristo revelam a última verdade sobre a natureza humana. Quando seus inimigos o acusam de pretender ser Deus, o Nazareno respondeu, calmamente, não negando que ele era Deus, mas afirmando que também nós, os outros homens, somos Deus."

     "Lei é ego - verdade e graça são Eu."

     "Os ruídos da natureza - do mar, dos ventos, dos passarinhos, etc. - não perturbam o silêncio; mas qualquer voz humana causa interferências disturbantes."

Rumo à Consciência Cósmica, Huberto Rohden.
Editora Martin Claret.



Ego

"Todos os nossos problemas são produtos do ego humano - ao passo que a solução desses problemas vem da consciência cósmica. A invasão da consciência cósmica não anula a ego-consciência, mas integra-a. O ego humano não é aniquilado pelo Eu cósmico, mas é integrado nele.
     Quando uma semente se transforma em planta, ela não morre, mas vive de outro modo, melhor e maior...
     ... Quando o homem descobre o seu verdadeiro Eu central, verifica ele a sua ilusão, e, daí por diante, considera o seu ego como algo que ele tem, mas não que ele é."

Rumo à Consciência Cósmica, Huberto Rohden.
Editora Martin Claret.



Desenvolvimento

"O que impede o desenvolvimento do ego e sua evolução em Eu é a ilusão do ego, quando este se considera como homem perfeito e definitivo. Essa ilusão torna o ego teimoso e o leva a não querer romper o seu egoísmo. O invólucro é essa própria ilusão da ego-identificação. No momento em que o ego reconhece que ele é potencialmente o Eu, perde ele a ilusão e deixa de se identificar com a casca do seu egoísmo."

     "... assim todo homem, em ambiente propício, desenvolve a sua ego-consciência em Eu-consciência... 
     Infelizmente, a mentalidade da atual sociedade civilizada hipertrofia a ilusão do ego e atrofia a verdade do Eu, dificultando ao homem o rompimento do invólucro do seu egoísmo. Por isso deve o homem sensato reduzir ao mínimo os fatores egoficantes, como a dispersividade excessiva por meio da vida social, das visitas, dos jornais e revistas, do rádio, da televisão, etc."

Rumo à Consciência Cósmica, Huberto Rohden.
Editora Martin Claret.



Eu Espírito

"Pela primeira vez o homem chega a saber, então, que céu e inferno não são regiões geográficas ou zonas astronômicas, mas sim estados de consciência."

     "... Lá , onde ele está, tudo é agora e aqui; tudo é o eterno e presente e o infinito aqui. Ao acaso das ilusões do ego sucedeu a alvorada da verdade do Eu."

     "... Enquanto o homem não conscientizar nitidamente  o fato da presença de Deus nele, continua a ser pecador, doente, infeliz, mortal, sujeito às misérias do ego. Mas, a partir do momento em que ele desperta para a consciência da presença de Deus nele, acabam as misérias geradas pelo ego e principiam as grandezas nascidas do Eu."

Rumo à Consciência Cósmica, Huberto Rohden. 
Editora Martin Claret.



Livro Desigualdade - O que pode ser feito ? - 3

        "... Essa mudança na tributação local foi um dos elementos que definiu a virada da desigualdade da década de 1980. A mudança pa...