domingo, 25 de novembro de 2018

Comunicação Não-Verbal

     "Nos primórdios da raça humana, antes da evolução da linguagem, o homem se comunicava através do único meio de que dispunha: o não-verbal. Os animais ainda se comunicam desse jeito e muitos deles conseguem trocar informações com um alcance bem mais amplo do que era possível imaginar até há bem pouco tempo atrás. De certa forma, o comportamento não-verbal do ser humano é extremamente parecido com o comportamento necessariamente não-verbal dos animais, sobretudo com o de outros primatas. Algumas coisas ainda comunicamos da mesma forma que os animais, mas desde o advento das palavras já não temos mais consciência disso.
      Recentemente, os etologistas começaram a estudar, analisar e a comparar os sistemas de comunicação do homem e dos animais. Seus métodos e suas descobertas têm tido influência cada vez maior sobre os cientistas que cuidam da comunicação não-verbal. Já houve sugestões, inclusive, para que todo esse campo fosse chamado de etologia humana.
      O etologista é, basicamente, um biólogo, mas um biólogo que se preocupa, em particular, com o comportamento que permite ao animal adaptar-se ao seu meio ambiente, incluindo-se aí o meio social composto por outros membros da espécie. Quando sua atenção se volta para o ser humano, o etologista pergunta: Até que ponto se pode entender o comportamento do homem como um produto do processo evolutivo?"

A Comunicação Não-Verbal. Flora Davis.
Summus Editorial.

Reflexão: A comunicação verbal está continuamente sendo sobrecarregada de conteúdo passional, das escolhas passionais de cada indivíduo. Ou seja, para uma espécie de resolução política diante de um acordo político, a comunicação verbal parece não ter mais grande valia. Pois muitas vezes, guardamos nosso rancor ou ódio passional diante de um adversário, que originariamente poderia ser um aliado. A escrita, por mais erudita que seje, possui uma qualidade de comunicação dos animais. Ela também é uma maneira de comunicação e expressão sem haver o discurso verbal, em que na maioria das vezes, ao invés de fragmentar, serve apenas para desfragmentar, causando rivalidades e inimizades inóspitas.



sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Acesso à mente humana

"... A consciência de acesso possui quatro características óbvias. Primeira, temos noção, em vários graus, de um rico campo de sensações: as cores e formas do mundo à nossa frente, os sons e odores que nos envolvem, as pressões e dores em nossa pele, ossos e músculos. Segunda, porções dessas informações podem incidir no enfoque da atenção, ser introduzidas e retiradas alternadamente na memória de curto prazo e alimentar nossas cogitações deliberativas. Terceira, as sensações e pensamentos apresentam-se com uma qualidade emocional:  agradável ou desagradável, interessante ou repulsivo, excitante ou tranquilizador. Finalmente, um executivo, o eu, aparece para fazer escolhas e acionar as alavancas do comportamento. Cada uma dessas características descarta algumas informações no sistema nervoso, definindo as vias principais da consciência de acesso. E cada uma desempenha um papel definido na organização adaptativa do pensamento e percepção para atender à tomada de decisões e ação racionais... "

"... Nossa percepção imediata também não recorre exclusivamente ao nível superior de representação. Os níveis superiores - os conteúdos do mundo, a substância de uma mensagem - tendem a permanecer na memória de longo prazo dias e anos após uma experiência, mas enquanto ela está ocorrendo nós percebemos as visões e os sons."

"... Não é difícil descobrir as vantagens da percepção do nível intermediário... Os níveis inferiores não são necessários, e os superiores não são suficientes... Porém, como ocorre na visão, o resto da mente também não pode satisfazer-se apenas com o produto final - neste caso, a ideia principal de quem fala. A escolha das palavras e o tom de voz contêm informações que nos permitem ouvir nas entrelinhas.
     A próxima característica digna de nota na consciência de acesso é o foco de atenção... A psicóloga Anne Treismann concebeu algumas demonstrações simples, hoje clássicas, de onde termina o processamento inconsciente e começa o processamento consciente."

Como a mente funciona, de Steven Pinker.





Sartre

"Sartre é contrário a um tipo de materialismo que coloca o homem como um objeto, pois isso o descaracteriza. Ele pensa numa doutrina que tem por base, como única razão de ser, o indivíduo, a subjetividade individual - o único fundamento que se deve procurar é o homem enquanto não objeto. O existencialismo e o marxismo convergem assim na configuração de um novo humanismo."

Filosofia, Ciência e Vida. 126. Editora Escala.




terça-feira, 9 de outubro de 2018

Sociopolítica

"... Em oposição à ideia da abordagem imparcial e universal da psicologia, Martin Baró concluiu que os psicológos deveriam levar em conta o contexto histórico e as condições sociais das pessoas em estudo. Para ele, é verdade que alguns problemas mentais refletem reações anormais a circunstâncias razoavelmente normais, mas os problemas específicos de grupos oprimidos e explorados costumam refletir reações normais e compreensíveis às circunstâncias anormais. Martin Baró concluiu que os psicólogos precisavam atentar mais às consequências de contextos sociais problemáticos sobre a saúde mental, bem como ajudar a sociedade estudada a superar o seu histórico de opressão...
      Os psicólogos dessa corrente consideram que a psicologia tradicional tem muitas limitações. Muitas vezes não é capaz de oferecer soluções práticas aos problemas sociais; grande parte de seus princípios foi elaborada a partir de condições artificiais de países ricos e, portanto, dificilmente podem ser traduzidos para situações diferentes; costuma ignorar qualidades morais humanas, como esperança, coragem e comprometimento; e sua principal meta aparentemente é maximizar o prazer, em vez de se preocupar em despertar e orientar o desejo por justiça e liberdade...
     ... Aborda o uso da psicologia como ferramenta de manipulação política e de guerra, o papel da religião no embate psicológico e o impacto de traumas e da violência sobre a saúde mental... Martin Baró concluiu que os problemas de saúde mental que surgem em determinado contexto são reflexos da história local, bem como do ambiente social e político em questão, e que os indivíduos devem ser tratados com esses fatores em mente."

     "No entanto, para entender e tratar distúrbios mentais, o psicólogo deveria compreender o ambiente sociopolítico de seus pacientes e objetos de estudo. Traumas devem ser analisados sob a perspectiva da relação entre indivíduo e sociedade."

O Livro da Psicologia. Editora Globo.



Obediência

"... Milgram queria observar se a tendência a obedecer à autoridade poderia ser o principal determinante do comportamento, mesmo em circunstâncias extremas...
     Segundo Milgram, esse senso de obediência deve-se ao fato de a socialização ser concebida (por pais e professores) para que o indivíduo seja obediente desde cedo e siga ordens - em especial as regras impostas por figuras de autoridade. Como disse Milgram, a obediência é um dos elementos mais basicos da estrutura da vida social... está a serviço de diversas funções produtivas. Mas, da mesma forma, as políticas desumanas dos campos de concentração da Segunda Guerra Mundial só poderiam ser implementadas em grande escala  se um grande número de pessoas obedecesse às ordens. As experiências de Milgram deixaram claro que pessoas normalmente inofensivas podem cometer atos cruéis quando pressionadas pela situação."

     "Os surpreendentes estudos de Stanley Milgram sobre a obediência mostraram que as pessoas obedecem a figuras de autoridade mesmo que isso implique contrariar as próprias  convicções morais... 
      Por sorteio, os alunos assumiram aleatoriamente papel de guarda ou de preso e, pouco depois, numa manhã de domingo, os prisioneiros foram presos em suas casas, fichados em uma delegacia policial de verdade e levados ao porão do departamento de psicologia da Universidade de Stanford, transformada em falsa prisão."

     "Em geral, pessoas normais e saudáveis passam a se comportar conforme o papel social a elas determinado. As que estão em posição de poder naturalmente usam (e abusam) da autoridade que têm. As que estão em posição de subordinadas submetem-se à autoridade. É a força das situações sociais, e não a disposição das pessoas, que gera comportamentos cruéis."

O Livro da Psicologia. Editora Globo.




segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Cultura Mercadoria

"... Não existem pessoas sem cultura, ou incultas porque existem saberes diversos, que não precisam necessariamente ter ligações com os saberes intelectualizados, ou seja, advindos dos livros, das universidades e/ ou ciência."

"... Desse grupo, mencionaremos Theodor Adorno e Max Horkheimer que em sua obra conjunta Dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos (1985) tratam de aspectos da cultura e do consumo cultural dentro da sociedade industrializada.
     Esses estudiosos dizem que a cultura está tão intrínsecamente ligada ao consumo que se confunde com a publicidade que seduz o consumidor de cultura por meio da palavra.
     Assim sendo, o consumidor, seduzido pela propaganda, consome o objeto cultural sem se dar conta de que o faz de maneira manipulada e não totalmente consciente.
    Posterior aos estudos realizados pelo grupo acima mencionado, o filósofo francês Félix Guattari subdividiu a cultura em três subtipos:  cultura-valor (visão da cultura que elitiza o conhecimento da mesma e dá status a quem tem acesso à ela), cultura-alma coletiva (que vê as manifestações culturais como símbolo de um povo e, segundo essa forma de ver e entender a cultura, todos são possuidores da mesma) e cultura-mercadoria (é a visão de cultura na qual os bens culturais são considerados mercadorias e, portanto, produzíveis e reproduzíveis segundo sua rentabilidade.
     Para este estudioso é a cultura-mercadoria o tipo de relação que predomina na sociedade contemporânea e essa forma de lidar com os elementos culturais pode servir tanto para democratizar seu conteúdo como para massificá-lo, mas tanto a cultura erudita como a cultura de massa são tratadas como mercadoria, objeto de lucro."

Filosofia, Ciência e Vida. Por Gabriela Raizaro Tosi.





Interpretando1 - Livro: Sorriso do Infinito - Revista Humanitas - Marcusvinicius de Oliveira

  Interpretando - Livro: Sorriso do Infinito - Revista Humanitas